Duas portas para o mesmo sonho: Queenstown e Wanaka sob a lente da curadoria

Neste artigo

Existe uma pergunta que separa quem está apenas pesquisando uma viagem de quem já decidiu fazê-la. Ela chega quase sempre na mesma frase, e quase sempre com a mesma hesitação na voz: “Liz, afinal — Queenstown ou Wanaka?”

Eu poderia responder com uma lista de prós e contras. Seria o caminho fácil, e é o que a maioria dos artigos faz. Mas seria também o caminho errado, porque essa dúvida nunca foi sobre dados. As duas cidades dividem a mesma região de Otago, o mesmo inverno de luz rasante, os mesmos picos nevados no horizonte. Ficam a pouco mais de uma hora de carro. Numa planilha, são quase idênticas.

A diferença entre elas não cabe numa planilha. Está no que cada uma faz com o seu tempo, com o seu silêncio, com o seu jeito de terminar o dia. E é por isso que escolher a base certa não é um detalhe logístico — é a primeira decisão de curadoria de toda a viagem. Deixe-me mostrar como eu penso essa escolha.

A pergunta real não é “qual cidade”, e sim “qual ritmo”

Antes de falar de lodges, mapas ou datas, vale entender o essencial: Queenstown e Wanaka respondem a desejos opostos.

Queenstown tem pulso. É a cidade que vibra à beira do lago Wakatipu, com a melhor mesa da Ilha Sul à mão a qualquer hora e uma energia que não pede licença. Wanaka é o seu contraponto introspectivo — menor, mais lenta, voltada para dentro. Uma sussurra; a outra conversa em voz alta. E, na minha experiência, a viagem perfeita raramente é uma ou outra. É saber em que ordem e em que dose viver cada uma.

Para tornar a decisão concreta, vou ser direta sobre para quem cada base faz sentido.

Para quem Queenstown faz mais sentido

Queenstown tem uma vocação rara: é cosmopolita sem nunca perder a montanha de vista. Você desce de Coronet Peak — que, vale o segredo, oferece esqui noturno sob refletores, um programa que recomendo a quem quer um fim de tarde diferente — e, em trinta minutos, está numa mesa do Rata, do chef Josh Emett, ou do Botswana Butchery, com um pinot noir de Central Otago na taça.

É o destino de quem quer movimento elegante. A cidade tem cena gastronômica, vida social genuína e a infraestrutura mais completa da região — a maioria dos voos, transfers e experiências de helicóptero parte daqui.

Escolha Queenstown se você:

  • Quer combinar esqui com gastronomia e uma vida social que não termina às 21h.
  • Viaja em grupo ou com amigos e valoriza variedade de ambientes e mesas.
  • Visita a Nova Zelândia pela primeira vez e quer praticidade sem abrir mão de sofisticação.
  • Se anima com o lado mais vertiginoso da curadoria — heli-ski, voos cênicos, um almoço numa vinícola só acessível de helicóptero.

A emoção de Queenstown é a do brinde ao fim de um dia intenso: a sensação de ter vivido muito, com gente, calor e história.

Onde dormir em Queenstown

O endereço certo aqui é o que entrega cidade e refúgio na mesma chave:

  • Matakauri Lodge — Debruçado sobre o Wakatipu, a poucos minutos do centro, mas com a quietude de quem está longe de tudo. Suítes amplas, lareiras e uma adega que faz justiça aos grandes pinots da região. Para mim, é o equilíbrio mais bem resolvido de Queenstown.
  • Blanket Bay — Mais adiante, rumo a Glenorchy, numa enseada que parece cenário de cinema (e foi). Uma manor house à beira d’água, para quem quer a cidade a um passeio de distância e o sono cercado de natureza.
  • Eichardt’s Private Hotel — No coração da orla, para quem quer estar onde a cidade acontece, com a discrição de um boutique histórico.

Para quem Wanaka é a escolha certa

Wanaka é uma decisão de quem já sabe o que procura. Não tenta impressionar — e é justamente por isso que conquista. O lago de águas paradas, a árvore solitária que virou ícone, as montanhas que parecem mais próximas do que a física permite. Tudo aqui pede pausa.

As estações de Cardrona e Treble Cone entregam neve de altíssima qualidade, muitas vezes com pistas mais livres. E a cidade guarda joias que poucos roteiros mencionam: o histórico Cardrona Hotel, um dos pubs mais antigos do país, ideal para um almoço junto à lareira no caminho de volta das pistas; e a Rippon, vinícola biodinâmica com uma das vistas mais comoventes de toda a Otago. Quem chega a Wanaka desacelera — e me agradece por isso depois.

Escolha Wanaka se você:

  • Busca privacidade e silêncio — uma lua de mel, um aniversário marcante, uma viagem de reconexão a dois.
  • Viaja em família e quer um ritmo tranquilo, longe da agitação de um grande centro.
  • Já conhece a Nova Zelândia e quer a sua versão mais íntima e verdadeira.
  • Prefere amanheceres contemplativos e pistas sem fila a noites movimentadas.

A emoção de Wanaka é a do silêncio diante da janela: a sensação de que, por uma vez, não há pressa nenhuma.

Onde dormir em Wanaka

A hotelaria daqui é, por natureza, mais boutique — e é nisso que mora sua alma:

  • Whare Kea Lodge — Um refúgio íntimo à beira do lago, com vista franca para os Alpes do Sul. Pequeno, exclusivo, do tipo que faz você cancelar planos só para continuar olhando.
  • Mahu Whenua — Uma antiga propriedade rural reinventada como retiro de luxo entre Wanaka e Cardrona, cercada por uma vasta reserva privada de conservação. Para quem quer isolamento absoluto com serviço impecável.
  • Lime Tree Lodge — Charme de campo e hospitalidade calorosa, para quem busca aconchego sem renunciar ao requinte.

Nossa recomendação

Depois de desenhar dezenas de invernos neozelandeses, cheguei a uma convicção que partilho com franqueza: na maioria das vezes, a melhor resposta não é escolher.

Mas se a viagem permite apenas uma base, é assim que eu oriento. Se você busca celebração, gente e gastronomia, fique em Queenstown. É o destino do reencontro, da comemoração, da primeira vez. Se você busca descanso, intimidade e a sensação de ter o lugar quase só para você, escolha Wanaka. É o destino da reconexão, da contemplação, do retorno.

E há um terceiro caminho — o que eu prefiro.

Como combinar os dois (o roteiro que eu desenho)

A pouco mais de uma hora de estrada, com a vertiginosa Crown Range Road entre elas — a via pavimentada mais alta da Nova Zelândia, um espetáculo à parte —, as duas cidades se encaixam como capítulos de uma mesma história.

O roteiro que mais construo começa em Queenstown, no movimento e na efervescência das mesas, e termina em Wanaka, no silêncio que prepara o coração para a volta. É uma viagem que respira: inspira na energia, expira na calmaria. Para quem tem mais dias, esse trecho ainda se conecta com naturalidade a Glenorchy, à região de Fiordland e ao sul profundo da ilha, compondo uma jornada de duas a três semanas sem um único quilômetro desperdiçado.

Essa é a curadoria em sua forma mais honesta: não decidir entre, mas orquestrar as duas na sequência certa, para que cada base entregue exatamente o que faz de melhor.

Quando ir a cada uma

A temporada de neve do hemisfério sul tem calendário próprio, e ele favorece quem se antecipa:

  • Junho — A abertura. Neve recém-caída, pistas recém-preparadas e menos gente. Um charme particular para quem gosta de chegar antes da multidão.
  • Julho e agosto — O auge. Neve consolidada, todas as estações em pleno funcionamento e a vida social de Queenstown no seu melhor. É também a alta temporada — antecedência aqui não é luxo, é necessidade.
  • Início de setembro — O encerramento sereno. Dias mais longos, luz dourada e a quietude de Wanaka ainda mais evidente.

Independentemente do período, repito sempre o mesmo princípio: os melhores lodges das duas cidades têm pouquíssimas suítes e se esgotam meses antes. Planejar cedo é a única forma de garantir os endereços que de fato importam.

A escolha que define o tom da viagem

“Queenstown ou Wanaka” nunca foi, no fundo, a pergunta certa. A pergunta certa é: que tipo de inverno você quer viver? O movimento elegante ou o silêncio que restaura — ou, idealmente, os dois, na medida e na ordem que fazem sentido para o seu momento de vida.

Esse é o trabalho de uma travel designer: ouvir o que você ainda não conseguiu colocar em palavras e traduzir isso num roteiro que parece ter sido desenhado sob medida. Porque foi.

Quer um roteiro personalizado entre Queenstown e Wanaka, pensado para o seu perfil e o seu momento? Fale com uma especialista da R3 Destinos. Conte como você imagina esse inverno, e cuidamos de cada detalhe — da escolha da base ao último transfer.

Falar com uma especialista R3 Destinos no WhatsApp →

Sofisticação é saber escolher. A R3 Destinos, com a experiência do Grupo R3 Viagens e mais de uma década de mercado, orienta cada decisão para que a sua viagem seja, do começo ao fim, exatamente como você sonhou.

— Liz, Travel Designer da R3 Destinos


Perguntas frequentes

Afinal, é melhor ficar em Queenstown ou Wanaka? Depende do seu momento. Queenstown é a escolha de quem busca vida social, gastronomia variada e celebração; Wanaka, de quem prioriza silêncio, intimidade e um ritmo tranquilo. Quando a viagem permite, o roteiro mais completo combina as duas, começando pela energia de Queenstown e terminando na calmaria de Wanaka.

Dá para conhecer Queenstown e Wanaka na mesma viagem? Sim — e é a configuração que mais recomendamos. As cidades ficam a pouco mais de uma hora de carro, conectadas pela cênica Crown Range Road. O trecho ainda se integra com facilidade a Glenorchy e a Fiordland, compondo uma jornada maior pela Ilha Sul.

Qual é a melhor época para esquiar na Nova Zelândia? A temporada vai de junho a início de setembro. Junho traz a abertura com pistas vazias; julho e agosto concentram a neve consolidada e a alta temporada; setembro oferece dias mais longos e uma atmosfera serena, ideal para quem busca tranquilidade.

As estações de esqui são as mesmas para as duas cidades? Não. Queenstown dá acesso a Coronet Peak e The Remarkables, enquanto Wanaka serve de base para Cardrona e Treble Cone. Cada conjunto tem caráter próprio, e a curadoria certa considera o seu nível e suas preferências de esqui.

Por que reservar com tanta antecedência? Os lodges mais exclusivos das duas cidades têm pouquíssimas suítes e esgotam meses antes da temporada. Antecipar o planejamento é a melhor forma de assegurar as hospedagens e as experiências que realmente fazem diferença.


Conteúdo desenvolvido a partir da curadoria interna da R3 Destinos sobre a temporada de neve no hemisfério sul e do conhecimento de campo sobre a hotelaria boutique da região de Otago, Nova Zelândia.

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Onde dormir em Wanaka A hotelaria daqui é, por natureza, mais boutique — e é nisso que mora sua alma: Nossa recomendação Depois de desenhar dezenas de invernos neozelandeses, cheguei a uma convicção que partilho com franqueza: na maioria das vezes, a melhor resposta não é escolher. Mas se a viagem permite apenas uma base, é assim que eu oriento. Se você busca celebração, gente e gastronomia, fique em Queenstown. É o destino do reencontro, da comemoração, da primeira vez. Se você busca descanso, intimidade e a sensação de ter o lugar quase só para você, escolha Wanaka. É o destino da reconexão, da contemplação, do retorno. E há um terceiro caminho — o que eu prefiro. Como combinar os dois (o roteiro que eu desenho) A pouco mais de uma hora de estrada, com a vertiginosa Crown Range Road entre elas — a via pavimentada mais alta da Nova Zelândia, um espetáculo à parte —, as duas cidades se encaixam como capítulos de uma mesma história. 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Nos Alpes italianos, endereços onde o design encontra a hospitalidade impecável

Há destinos que impressionam pela paisagem. Outros, pela gastronomia. Mas existem poucos lugares no mundo capazes de unir arquitetura autoral, hospitalidade genuína e experiências profundamente sensoriais com a mesma naturalidade encontrada nos Alpes italianos. Nas Dolomitas e em Cortina d’Ampezzo, alguns hotéis deixaram de ser apenas hospedagens para se tornarem verdadeiros refúgios de estética, silêncio e bem-estar. São propriedades onde o design não existe como excesso visual, mas como extensão da experiência: materiais naturais, iluminação cuidadosamente pensada, integração absoluta com a montanha e um serviço discreto, preciso e elegante. Selecionamos quatro endereços que traduzem perfeitamente essa visão contemporânea do luxo alpino — lugares onde cada detalhe parece desenhado para desacelerar o tempo. Forestis: silêncio, arquitetura e bem-estar suspensos entre as montanhas Poucos hotéis nos Alpes conseguem transmitir uma sensação de contemplação tão intensa quanto o Forestis. Localizado em uma montanha isolada no Tirol do Sul, o hotel nasceu da transformação de um antigo sanatório do início do século XX em um dos wellness retreats mais sofisticados da Europa contemporânea. O projeto arquitetônico é um manifesto minimalista. Madeira clara, pedra natural, linhas limpas e enormes painéis de vidro fazem com que a paisagem se torne protagonista absoluta. Em praticamente todos os ambientes — das suítes ao spa — a vista para as Dolomitas parece emoldurada como uma obra de arte viva. A experiência no Forestis gira em torno do conceito de regeneração. O silêncio é parte da identidade do hotel. Não há excessos, ostentação ou estímulos visuais desnecessários. Tudo foi pensado para reduzir o ruído do mundo exterior. O spa utiliza elementos naturais da região, como madeira, água pura de montanha e ervas alpinas, criando tratamentos profundamente conectados ao território. As suítes seguem a mesma filosofia. Tons neutros, iluminação suave e uma estética quase meditativa fazem com que o hóspede sinta uma rara sensação de desaceleração. Mesmo a gastronomia acompanha essa narrativa: menus sazonais, ingredientes locais e apresentações minimalistas que valorizam sabor e origem. O Forestis é um hotel para quem entende o luxo como espaço, silêncio e tempo. Mais do que uma hospedagem, ele entrega uma experiência emocional de pausa — algo cada vez mais raro na hotelaria contemporânea. Aman Rosa Alpina: a nova era do luxo alpino em San Cassiano Em San Cassiano, no coração das Dolomitas, um dos hotéis mais emblemáticos da hotelaria alpina italiana inicia uma nova fase: o tradicional Rosa Alpina agora renasce como Aman Rosa Alpina, unindo a herança histórica da propriedade ao olhar minimalista e extremamente sofisticado da Aman. A transformação preserva a essência intimista que tornou o hotel um clássico entre viajantes experientes, mas introduz a estética silenciosa e contemplativa característica da marca Aman. O resultado é um endereço onde arquitetura, hospitalidade e paisagem dialogam de forma ainda mais refinada. Os interiores seguem uma linguagem elegante e discreta, combinando madeira natural, iluminação suave, materiais nobres e uma atmosfera profundamente acolhedora. Diferente do luxo performático de muitos resorts alpinos, aqui tudo transmite calma, privacidade e exclusividade. A experiência gastronômica continua sendo um dos grandes pilares do hotel. O lendário St. Hubertus, restaurante três estrelas Michelin comandado pelo chef Norbert Niederkofler, permanece como referência absoluta da alta gastronomia alpina contemporânea. Sua filosofia “Cook the Mountain” valoriza ingredientes locais e sazonalidade extrema, transformando a culinária da região em uma experiência sofisticada e profundamente territorial. As áreas comuns mantêm a atmosfera de residência privada de montanha, com lounges elegantes, lareiras intimistas e um serviço extremamente personalizado. Já o wellness ganha nova relevância sob a curadoria Aman, ampliando a sensação de refúgio e desconexão. O Aman Rosa Alpina representa a fusão perfeita entre tradição alpina italiana e o minimalismo sofisticado da hotelaria Aman — uma combinação rara nos Alpes europeus. Ciasa Salares: o wine hotel mais charmoso das Dolomitas Com apenas 41 quartos, o Ciasa Salares oferece uma experiência completamente diferente dos grandes hotéis alpinos tradicionais. Localizado em San Cassiano, o hotel se tornou referência entre viajantes que valorizam hospitalidade calorosa, gastronomia autoral e uma curadoria impressionante de vinhos. O primeiro impacto ao chegar é a atmosfera genuinamente acolhedora. O design combina madeira natural, elementos alpinos clássicos e detalhes contemporâneos em uma escala muito íntima. Nada parece exagerado. Há uma sensação constante de autenticidade — como se o hotel tivesse sido pensado mais para receber pessoas do que para impressionar visualmente. Mas é na experiência gastronômica que o Ciasa Salares revela sua verdadeira personalidade. O hotel abriga uma das adegas mais interessantes da região, com milhares de rótulos cuidadosamente selecionados. A cultura do vinho faz parte da identidade da propriedade e aparece em degustações privadas, harmonizações e menus desenhados para explorar sabores locais. Outro diferencial é o famoso Cheese Room, um espaço dedicado exclusivamente à maturação e degustação de queijos artesanais. Para amantes da gastronomia, poucos hotéis nos Alpes oferecem uma experiência tão sensorial e personalizada. Os quartos mantêm a mesma linguagem do restante do hotel: conforto absoluto, materiais naturais, iluminação suave e vistas encantadoras para as montanhas. O serviço é extremamente atencioso, mas sempre informal na medida certa — um tipo de hospitalidade que faz o hóspede se sentir parte do lugar. O Ciasa Salares não busca grandiosidade. Seu luxo está na curadoria, na escala intimista e na capacidade de transformar pequenos detalhes em experiências memoráveis. Mandarin Oriental Cristallo, Cortina: o retorno de um ícone alpino Em Cortina d’Ampezzo, um dos endereços mais históricos da hotelaria italiana prepara seu retorno em uma nova fase de ultra luxo. O tradicional Cristallo passa por uma importante transformação para renascer como Mandarin Oriental Cristallo, Cortina, marcando a chegada da marca asiática de hospitalidade aos Alpes italianos. 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Dolomitas: onde os Alpes ganham sotaque italiano e alma gastronômica

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As pistas da famosa descida La Longia, utilizada em competições de Copa do Mundo, coexistem com trilhas suaves, ideais para quem prefere contemplação a adrenalina. E os hotéis de design da região — com spas alpinos, adegas curadas e arquitetura que dialoga com a paisagem — elevam a estada a um patamar de conforto silencioso. Sellaronda: o circuito que conecta quatro vales Nenhuma conversa sobre as Dolomitas de inverno está completa sem mencionar a Sellaronda. Trata-se de um circuito de esqui de 44 quilômetros que contorna o Maciço do Sella, atravessando quatro passagens alpinas e conectando Val Gardena, Alta Badia, Arabba e Val di Fassa. É possível completá-lo em um único dia — e a experiência é, sem exagero, uma das mais memoráveis que o universo do esqui pode proporcionar. O percurso pode ser feito no sentido horário ou anti-horário, e ambos oferecem perspectivas distintas das montanhas. A recomendação para quem faz pela primeira vez é o sentido anti-horário (rota verde), que apresenta descidas mais suaves e vistas ainda mais generosas. O nível de dificuldade é intermediário, e a infraestrutura dos teleféricos modernos garante fluidez ao longo de todo o trajeto. Gastronomia de altitude: onde o paladar encontra o cume A experiência gastronômica nas Dolomitas merece um capítulo à parte. Alta Badia, em particular, consolidou-se como referência mundial em gastronomia de montanha. Os refúgios de altitude — chamados localmente de rifugi ou malghe — servem pratos que vão muito além do esperado: massas frescas com ingredientes locais, carnes curadas com ervas alpinas, queijos de produção artesanal e sobremesas que homenageiam a tradição ladina. O programa Gourmet Skisafari eleva essa experiência ao unir pista e mesa. A cada parada, o esquiador é recebido com um prato harmonizado com vinhos regionais, tudo orquestrado para que a refeição seja parte inseparável da jornada. É a gastronomia como extensão da paisagem — e talvez o exemplo mais eloquente de como as Dolomitas transformam o esqui em algo infinitamente mais rico do que descer uma montanha. Quando ir e quanto tempo ficar A temporada de esqui nas Dolomitas vai geralmente de início de dezembro até abril, dependendo das condições de neve. Para quem busca pistas mais vazias e dias mais longos, março e início de abril são meses especialmente recomendados. Em fevereiro, a região vive seu ápice de visitação, com eventos como a Copa do Mundo de Esqui Alpino em Alta Badia e o Carnaval Ladino. A recomendação para uma experiência completa é dedicar entre sete e dez noites à região, dividindo a estada entre pelo menos duas bases. Uma combinação muito

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